Nunca fale mal do seu cavalo

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A primeira vez que ouvi esta fábula foi em uma palestra do professor Marins. Tive a oportunidade de ouvi-la outras vezes, sempre em contextos apropriados. Falando de copa do mundo e do momento atual da seleção Brasileira, penso que a fábula do cavalo cabe bem. Após uma atuação não muito convincente contra a seleção do México, passamos a criticar e muitas vezes a diminuir nossa seleção.

Deixando de lado o sentimento passional, analisemos os fatos. Bem, ninguém precisa saber o que se passa nos bastidores de uma organização ou de uma equipe. O que realmente interessa é o resultado alcançado. Eu mesmo já critiquei muito o técnico Luiz Felipe Scolari pela sua teimosia, mas estamos acostumados a ver inúmeros exemplos de êxitos no esporte, mesmo sem a estrutura esperada. Lembram do ginasta Arthur Zanetti, medalhista de ouro nas últimas olimpíadas? No mundo corporativo, quantas vezes ganhamos um contrato sem estarmos 100% preparados? Nesta vida globalizada não adianta ser competente: é preciso parecer ser competente. Isto não significa enganar ninguém, apenas focar no que realmente contribui para o resultado.

Afinal, o que nos diz a fábula do cavalo? Texto adaptado de Renato de Luca-Publicitário.

‘Mineirinho cansado de seu cavalo vivia reclamando pra esposa dele;

– ‘Muié’ essa praga de cavalo estragou nossa plantação de milho, pisou na nossa horta , deu um coice na nossa vaquinha leitera e , ainda ‘purcima’ cagou na porta de casa. Só dá ‘preju muié’. Esse cavalo não atende as nossas necessidades.’Quié’ que faço com ele? Paguei um dinheirão.

– Se acalma, homem, que o cumpadre tá chegando, respondeu a mulher.
Depois daquela tradicional conversa sem assunto o compadre diz:
– Bonita casa, mas o que eu mais gostei foi do seu cavalo, que belezura.
Depois de um pulo na cadeira, o mineirinho diz: “O que cumpadre? Ocê gostou do Faz Tudo? Tá pondo olho-gordo no pobrezinho? Ói que eu me ofendo, hein!!!”
– Não cumpadre. Com todo respeito, só achei o bicho aprumado.
-‘Ah bão’, disse o mineiro.Pois saiba o senhor que esse cavalo é como um filho pra mim, nunca deu trabalho, num imagina do que ele é capaz. Veja só: de manhã , antes de nos acorda, o bichinho já traz um balde d’água bem na porta de casa, eu assobio e ele já se prepara pra ”trabaia” na roça, puxa o arado que é uma beleza, ‘num precisa nem de guiá’, vai sozinho até a cachoeira e ‘vorta’ limpinho. Eh belezura de animal, cumpadre.
A visita já com os olhos arregalados pergunta:
– Quanto? Isso mesmo que o cumpadre tá pensando. Pode ”punha preço” que eu pago. 
– Nem pensar. É meu, e eu não vendo.
– O cumpadre tá fazendo pouco caso da minha pessoa. Pois dou dez mil.
– Não, nem pensar!Ta de ofensa…
-Quinze… vinte… vinte cinco e mais dois bezerrinhos e uma malhada.
– Tá bem cumpadre, mas só vou fechar o negócio em nome da nossa amizade, afinal ela tem que valer mais que um cavalo, né? Paga em dinheiro e manda entregar o resto da oferta aqui, enquanto eu mando o cavalinho lá pra tua roça, tá? Muíé traz café que o cumpadre merece.

Duas semanas depois o cumpradre do mineirinho volta pra ter uma prosa com ele, fulo da vida ele descarrega;
– Esse cavalo é uma b*****, só dá preju, já perdi minha safrinha e…
– Ô cumpadre, diz o mineiro. Se você fica falando mal do teu cavalinho, você num arruma comprador pra passar ele pra frente. 

Trazendo para o mundo corporativo, não adianta realçar as fraquezas. Na verdade devemos ter consciência delas e lutar para minimizá-las com ações consistentes. Por outro lado, devemos enfatizar nossas forças para que as oportunidades surjam. Afinal, se a propaganda é a alma do negócio, que vantagem voce teria em falar mal do seu cavalo? 
Boa leitura!

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